Deadpool (Crítica)

Para escrever sobre Deadpool eu não posso seguir o basicão: filme, diretor, enredo, curiosidades, crítica. Eu precisaria ser um escritor com o espírito do filme, ou seja, zoeira geral. E sem censura. – Por Presepada Geek, Marcelo Bastos.

Preciso começar falando de um ator que carrega tudo nas costas porque é a essência do filme, um cara obstinado em fazer do personagem um demente desbocado, uma metralhadora giratória de piadas e de comentários grosseiros e maldosos, com uma pitada sensacional de humor negro. Isto é Ryan Reynolds. E Deadpool é seu alter ego, e não o contrário.

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Conheci Ryan ainda adolescente, não pessoalmente, lógico, mas quando começava a me apaixonar pelo cinema. Garoto e na puberdade, gostava daquelas comédias imbecis com piadas maldosas de conotação sexual e politicamente incorretas (o que a chatice do mundo de hoje não permite). E Ryan era mestre nisso. Com aquela cara de galã, tirava sarro de todo mundo apenas no olhar. Podiam mandar qualquer frase que ele respondia de um jeito inteligente e impossível de retrucar. Lembro de “O Dono da Festa” (National Lampoon’s Van Wilder, 2002), que retrata bem isso.

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Na síndrome de Hollywood, fez vários papéis no cinema como astro de ação, comédias românticas açucaradas e dramas onde mostrou sua qualidade como ator.

Mas ele queria um herói para chamar de seu. Tentou em “Blade-Trinity” (2004), e no famigerado e horroroso “Lanterna Verde” (The Green Lantern, 2011), mas em vão. Antes deste Lanterna, porém, conheceu o personagem que iria se tornar seu maior objetivo: Deadpool. Ao filmar “X-Men Origens: Wolverine” (X-Men Origins: Wolverine, 2009) como Wade Wilson (nome do mercenário que se torna Deadpool), foi obrigado a presenciar uma necessidade do estúdio de fazer um filme censura livre, e Deadpool foi cortado, mutilado, transformado em um arremedo do personagem dos quadrinhos. Sem contar a boca costurada. Um crime.

Daí em diante, Reynolds ficou obcecado por Deadpool. Esperava que o estúdio bancasse o filme, mas não via evolução. Assim, em 2014, na Comic Con de San Diego, deixou “vazar” ao público um trecho que já havia filmado vestido do personagem, e provocou um alvoroço tão grande que o estúdio não teve outra alternativa senão trazer o filme à luz do dia, mas com um pé atrás. Será que daria certo?

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A estreia nos cinemas, o sucesso de crítica e público, e os mais de 200 milhões de dólares arrecadados só nos Estados Unidos em duas semanas de exibição, demonstram que sim. Tudo que Reynolds queria com o personagem está ali.

Dirigido pelo estreante Tim Miller, com um orçamento modesto de 60 milhões, e co-estrelado pela brasileira Morena Baccarin (par perfeito para Reynolds e que pegou o espírito do filme), tem cenas de ação fantásticas e bem malucas, e são tantas as citações ao mundo do cinema que são impossíveis de mencionar aqui – a homenagem ao clássico “Curtindo a Vida Adoidado” (dirigido em 1986 por John Hughes, com Matthew Broderick) é a mais bacana de todas. Mas o diferencial é realmente possibilitar as extravagâncias do personagem, que debocha de tudo, inclusive da Fox, estúdio que bancou o filme, dos X-Men, universo do qual faz parte, e do próprio Lanterna Verde, mancha na carreira de Reynolds. Por isso, o filme pegou uma censura alta no Brasil (16 anos), mas só assim para fazer o Deadpool dos quadrinhos surgir na tela em todo seu esplendor.

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Deadpool é a antítese do herói. Um sujeito politicamente incorreto, debochado, desbocado, que tem uma predileção por lançar piadas nos piores momentos. A história? Sim, tem. Wade Wilson é um mercenário que descobre ter um câncer terminal e se submete a um experimento mutante para regenerar suas células, acabando por eliminar a doença, adquirindo um fator de cura maior que o do Wolverine. Assim, ele… Ah… esquece!!!

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Bom mesmo de Deadpool é ver. Sem saber o que lhe espera. E rir. Muito. Não deixe contarem as melhores piadas do filme antes de você assistir. Spoilers de piadas é sacanagem!!! Bem… Mas como Deadpool gosta de uma imoralidade, de repente faça sentido.

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Enfim, não é só comédia. Não é só ação. Não é só um filme de super-herói. É uma mistura de tudo isso. E um filme com a alma e a cara de Ryan Reynolds, que se divertiu antes, durante e depois das filmagens, fazendo questão de participar de toda a divulgação de Deadpool. Duvido você não se divertir também!!! #peideiesai

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Presepada Geek – Por Marcelo Bastos

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