Cartas de amor (Crônicas da vida)

Não importa se a internet substituiu a carta. Não importa se você não se dedica mais a fazer uma letra bonita porque o computador te dá várias fontes para você escrever do jeito que quiser. Não importa o quanto as coisas mudem, porque nada substitui a terapia que é escrever. Sobretudo, se você está com o amor transbordando no peito. Quem ama, escreve. (Ou isso é exclusividade minha?)

E falo por experiência própria. Sempre que tô apaixonado começo a tecer linhas e linhas do amor mais verdadeiro. Busco as palavras mais precisas e as metáforas mais difíceis para impressionar a mulher amada. Porque, amigo leitor, a gente tem que usar os trunfos que Deus nos deu. E, no meu caso, ele ajudou com o dom da escrita. Amém.

De uns tempos pra cá eu adotei uma prática: escrever? Ok. Guardar uma cópia? Jamais! Vá por mim! Quando a paixão acaba, sabe lá porque motivo, você se sente o mais trouxa de todos os tempos. No meu caso, eu me arrependo de cada vírgula que me preocupei de ter botado para a criação de um parágrafo afetuoso e coeso. Antes a bronca fosse só com a pontuação. As palavras também pesam, e muito, no arrependimento. Sabe por quê?

O Brasil, não diga que não, é um País romântico. Roberto Carlos é chamado de Rei pela sua mãe (por mim também, sou bem fã). Tom Jobim e Vinícius de Moraes são os maiores expoentes da nossa música lá fora. Reginaldo Rossi é outro rei, apesar de já ter partido dessa. E todos eles invadem nossos corações de amor. Só de ouvi-los a vontade é de se apaixonar imediatamente.

O resultado dessa salada musical que influencia diretamente nas nossas vidas é um texto cafona. Pra se arrepender de verdade! Só que a gente só se dá conta disso, ao fim. Mas o pior de tudo: você sabe disso, você sabe que um dia poderá se arrepender, mas não deixa de escrever. Eu não perco a oportunidade de ser Reginaldo Rossi e Frank Sinatra quando escrevo. Carta de amor é uma experiência brega pra todo mundo viver, sentir, se arrepender, rasgar a folha em mil pedaços. Pegar outra folha, com outro amor e escrever uma nova história.

Gabriel Pinheiro

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